sexta-feira, 11 de março de 2011

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A ARTE DE SUPERAR OBSTACULOS

Divulgação
Musicista surda, atrizes e dançarina cegas são artistas que estão cada vez mais
presentes na sociedade. Elas comprovam que a arte, além de uma terapia,
é ferramenta para a inclusão social, melhora a autoestima e, consequentemente,
o quadro clínico de quem tem uma deficiência. Jucilene Evangelista, 30 anos,
conhece bem essa realidade. Deficiente visual desde os cinco, devido a um disparo
de espingarda de chumbinho, há um ano ela integra a equipe de atores da Oficina
Menestréis, em São Paulo. "Desde menina participo de grupos de arte, seja com dança
ou peça de teatro. E, embora seja uma pessoa comunicativa, o teatro contribui muito
para minha expressão verbal e corporal", conta a atriz, que se sente feliz 
com suas apresentações.
O grupo de teatro Menestréis envolve pessoas com e sem deficiência. "Todos
imaginam que uma das maiores dificuldades que temos é na hora da locomoção,
mas como participante, posso assegurar que isso não é barreira. Nós nos 
ajudamos.
Quem vê empresta seus olhos, e quem anda faz o mesmo com suas pernas",
explica Jucilene.
Já Gleice Santana, do grupo teatral Nós Cegos, de Minas Gerais, explica:
"Nas primeiras aulas, eu tinha medo de andar, de me locomover no palco.
Com o desenvolvimento do curso, adquiri uma percepção auditiva muito boa a ponto de
perceber a distância entre os atores pelo timbre da voz".
Diante de limitações físicas, sensoriais ou psicológicas, sentimentos como medo, 
insegurança e vergonha são comuns. E é nesse momento que a arte pode agir na
vida da pessoa e mostrar outra realidade, menos dura, em um mundo mais colorido.
"A arte promove a representação de sentimentos, sensibilidade e criatividade de
cada um. Este processo pode ser valioso para a pessoa, que se sentindo capaz de
criar algo, acredita em si mesma, vivendo melhor e mais feliz", conta a diretora da
Associação de Arteterapia do Estado de São Paulo (AATESP), Maíra Bonafé Sei.
Foi com esse propósito de integrar e promover qualidade de vida e superação para
pessoas cegas, que a bailarina e fisioterapeuta Fernanda Bianchini Saad, 32 anos,
fundou a Associação de Ballet e Artes para Cegos. O espaço existe há 15 anos e 
atende voluntariamente deficientes visuais de todas as idades, com aulas de balé 
clássico, sapateado, dança de salão e curso de violão e canto. "São 60 alunos
com idades entre 3 e 60 anos, que aprendem a dançar por meio do toque e 
da percepção corporal", conta a idealizadora do espaço.
"O balé tem melhorado a postura, a locomoção, o equilíbrio e a autoestima dessas
meninas, além de romper barreiras de preconceitos, muitas vezes presentes
devido à deficiência visual", diz Fernanda, que iniciou este trabalho aos 15 anos, 
a convite do Instituto de Cegos Padre Chico, em São Paulo. Para se ter ideia dos 
benefícios da dança, Fernanda conta o caso de uma menina de apenas oito 
anos, que tem deficiência visual, auditiva, motora e intelectual. "Há dois 
anos, quando ela iniciou as aulas, vinha no colo
da mãe e andava sempre se segurando em algo. Hoje, com a prática do balé,
ela já  anda na ponta do pé e até corre durante as aulas."
Música para sentir 
Para quem pensa que os surdos são incapazes de aprender a tocar um
instrumento e questionam como eles podem perceber os sons, já que
não escutam, a musicista Sarita Araújo Pereira, 46 anos, deficiente auditiva
deste os 8 meses, explica: "Os surdos são sensíveis à música, não só por 
meio da utilização de seus resíduos auditivos, mas também por sentirem as
vibrações sonoras por todo o seu corpo, chegando mais facilmente ao som,
através das vibrações do chão, das paredes e dos próprios instrumentos
musicais. Muitas vezes sinto música no peitoral e nos pés. É maravilhoso!"
Sarita acumula títulos e diplomas, sendo dona de um currículo invejável.
Ela nasceu em Quirinópolis, interior de Goiás, teve toxoplasmose e perdeu
parte da audição. Então, com seis anos, mudou-se com sua família para
São Paulo, onde começou a usar o seu primeiro aparelho auditivo.
"Um rádio transmissor pendurado no peito, com dois fios levados até os 
ouvidos. Por muitos anos eu senti vergonha de ser surda e usava o 
cabelo comprido para esconder o aparelho", conta ela.
Aos oito anos, inspirada pela personagem Isaura, da telenovela
"A Escrava Isaura", de Gilberto Braga, entrou para o curso de 
piano no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli, em 
Uberlândia (MG), onde desenvolveu seu talento musical. "A música favorece
o desenvolvimento afetivo e emocional do surdo, pois proporciona 
autossatisfação e prazer, possibilitando a expansão dos sentimentos. 
Além disso, contribui muito na parte da coordenação motora, concentração
e boa memória. Tirou-me a timidez, a solidão e me deu coragem de 
enfrentar o público tocando piano", conclui Sarita.
Hoje, Sarita é pós-graduada em música pela Universidade Federal 
de Uberlândia (UFU), formada em Libras no Centro Municipal de 
Estudos e Projetos Educacionais de Uberlândia (Cemepe), fala espanhol
fluente e iniciou e coordena o "Projeto: O surdo para Educação Musical",
na área de teclado no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan 
Capparelli, desde 2001. O grupo lançou em 2010 o 1º DVD da 
Banda Ab'Surdos, da qual faz parte como coordenadora desde 2004.
Vale lembrar que a Banda Ab'Surdos venceu o 1º lugar no Prêmio 
Sentidos 2007, na categoria Talentos Especiais: Artes. A aluna
Daniela Prometi Ribeiro recebeu o prêmio em nome da banda.
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Serviço
Associação de Ballet e Artes para Cegos

(11) 5575-9898
Site: www.ciafernandabianchini.org.br

Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli
(34) 3232-1530 / Site:conservatoriouberlandia.com.br

Instituto de Cegos Padre Chico
(11) 2274-4611 / Site: www.padrechico.org.br

Nós Cegos
(31) 9852-3502 / Site: www.noscegos.com

Oficina Menestréis
(11) 5575-7472 / Site: www.oficinadosmenestreis.com.br